A gastrostomia percutânea endoscópica na paliação nutricional do câncer do esôfago proximal sem possibilidade de colocação de prótese

Grilo, Ana; Santos, Carla Adriana; Fonseca, Jorge
Arq Gastroenterol; 49(3): 227-231, July-Sept. 2012. tab.

RESUMO

CONTEXTO: O câncer do esôfago é frequentemente diagnosticado num estádio avançado, com mau prognóstico. A maioria dos pacientes com câncer avançado do esôfago sofre de disfagia que contribui para a desnutrição e perda de peso. A colocação de endopróteses é uma forma de paliação muito difundida. Contudo, as próteses muito próximas do esfíncter esofágico superior são mal toleradas pelos doentes, não sendo uma opção adequada se o câncer for muito proximal. Habitualmente, as recomendações para gastrostomia percutânea não incluem a paliação nutricional nestes doentes, mas a gastrostomia percutânea endoscópica pode ser a melhor forma de suporte nutricional no câncer avançado.
OBJETIVO: Avaliação retrospectiva dos doentes com disfagia por câncer avançado do esôfago em que a gastrostomia percutânea endoscópica foi a forma de paliação nutricional, sem expectativa de retomar a ingestão oral.
MÉTODO: Selecionaram-se doentes adultos com câncer irressecável do esôfago, com confirmação histológica e com localização proximal, impedindo a colocação de prótese, com a radioterapia e quimioterapia paliativas, usando a gastrostomia percutânea endoscópica para a nutrição entérica. Avaliaram-se dados clínicos e laboratoriais, incluindo o sucesso da gastrostomia, complicações e sobrevida após a gastrostomia e evolução do índice de massa corporal, albumina, transferrina e colesterol.
RESULTADOS: Foram incluídos 17 homens com carcinoma epidermoide no estádio III ou IV, com média de idade de 60,9 anos. A maioria consumia tabaco e bebidas alcoólicas. Todos foram submetidos a radioterapia ou quimioterapia. A gastrostomia endoscópica foi bem-sucedida em todos, embora nove tenham necessitado de dilatação prévia. A maioria foi gastrostomizada nos 2 meses subsequentes ao diagnóstico. Ocorreu uma “buried bumper syndrome”, resolvida com substituição do tubo e quatro complicações menores. Não houve implantação de metástases, nem mortalidade associada ao procedimento. Dois doentes foram perdidos e 12 morreram. Três doentes estão vivos 6, 14 e 17 meses após a gastrostomia e ainda estão aumentando a sobrevida média. Os valores médios do índice de massa corporal e da avaliação laboratorial mantiveram-se estáveis 1 e 3 meses após a gastrostomia.
CONCLUSÃO: Em pacientes com câncer avançado do esôfago, em que só a terapêutica paliativa é possível, o suporte nutricional é facilmente obtido com gastrostomia percutânea endoscópica, permitindo aos pacientes permanecer em suas casas por um longo período. A nutrição por gastrostomia percutânea endoscópica deveria ser considerada, por rotina, como a opção definitiva para paliação nutricional em pacientes com câncer do esôfago proximal em que a colocação de prótese não é possível.

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