Relação entre disfagia orofaríngea e aspectos clínicos em sujeitos pós acidente vascular cerebral avaliados ambulatorialmente

Heloisa Toller Bray

Biblioteca Digital da UNICAMP, 04-07-2012

Resumo:

A alteração na deglutição, em indivíduos após acidente vascular cerebral (AVC) é uma das sequelas mais encontradas e pode acarretar comprometimentos respiratórios, nutricionais, além de interferir negativamente no prazer em se alimentar, e na socialização. O presente estudo objetivou relacionar a disfagia orofaríngea e os aspectos clínicos, em sujeitos pós AVC, avaliados ambulatorialmente.Trata-se de um estudo transversal quantitativo com 38 sujeitos. Foram analisados os aspectos clínicos: comorbidades, número de AVC, queixas relacionadas às fases da deglutição, grau de severidade da disfagia (SD), funcionalidade da deglutição por meio da Functional Oral IntakeScale (FOIS) e, aspectos da avaliação videoendoscópica da deglutição (presença de estases, penetrações e aspirações laríngeas). Os sujeitos foram atendidos no ambulatório de Otorrinolaringologia /Disfagia do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas. Dentre os 38 sujeitos, 24, eram do gênero masculino, com mediana de idade de 63 anos e 14 do gênero feminino, com mediana de idade de 63 anos. Destes, 31 eram hipertensos e 14 diabéticos. O número de pacientes com AVC, se único ou múltiplo, foi respectivamente 26 e 12. O tempo de avaliação pós AVC foi de 1 a 12 meses. No estudo foi observado maior número de queixas de fase oral (FO) do que de fase faríngea (FF) (p=0,015). Na avaliação da deglutição, os sujeitos apresentaram FOIS nos níveis 1 (7,89%), 5 (84,21%) e 7 (7,89%). O grau da disfagia foi ausente em 15,78%, leve em 39,47%, moderado em 31,57% e grave em 13,15%. Foram observadas penetrações laríngeas de alimento em 34,21% e aspirações laríngeas em 7,89% por meio das videoendoscopias da deglutição (VEDs) realizadas. Houve correlação estatística positiva entre presença de estase e presença de clareamento, em todas as consistências analisadas. Também foi observada correlação positiva entre SD e penetração (p=<0,0001). Conclui-se que, 84% dos sujeitos após AVC, apresentaram algum grau de disfagia, no presente estudo. Não foram observadas correlações entre os parâmetros da deglutição estudados com os aspectos clínicos, porém evidenciou-se tendência dos sujeitos com maior tempo de AVC apresentarem maior severidade da disfagia (p=0,0501). Há a necessidade de avaliações da deglutição, a longo prazo, de todos os sujeitos pós-AVC, em virtude da manutenção da disfagia e do comprometimento na funcionalidade da ingestão oral. Também, concluí-se que a metodologia de avaliação da deglutição nos pacientes após AVC deve incluir necessariamente o teste de todas as consistências alimentares, por meio de exame objetivo, principalmente das consistências sólidas, pastosas e líquidas.

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